das Schweigen Brechen

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Was wollen Sie heute sprechen? Was willst du an zu schreien?

Não escrevia aqui tinha algum tempo - nada sério pelo menos - porém admito que ante os acontecimentos recentes, não poderia deixar de lado toda a cadeia de eventos as quais vem se desdobrando na nossa linha do tempo. Não chega a ser nenhuma novidade a minha introspecção, o meu pouco tempo, a minha baixa tolerância e até mesmo minha reaproximação com o divino. A série de acontecimentos, o mundo saindo do meu pequeno e remoto controle, o meu mundo saindo das minhas mãos me fez ter contato com uma nova realidade da qual já tive ciência da possibilidade a muito tempo, a realidade de que nem tudo é absoluto e quase tudo é ligeiramente relativo. Tudo pertence a um campo de meio-termos que condiciona nossa razão de existir a uma única expressão: fé. Sim, fé - ou esperança, ou desejo, ou aspiração, ou tesão, ou qualquer outra forma que você deseje chamar.

Aquém dessa verdade, as perdas continuam a me derrubar, me deixar numa condição de que não posso reparar os danos passados e tampouco evitar os futuros. A perda de uma grande amiga recentemente me fez pensar um pouco em mim mesmo, egoísmo? não. O compartilhamento de experiências as vezes nos torna menos egocêntricos, mais comprometidos com metas menos triviais e mais substanciais na verdade. Ver que a Daniela tinha atingido aos seus vinte e três anos um estágio que eu me encaminho me acendeu um alerta dos mais importantes: quais as minhas reais metas na vida? a boa verdade me é tão assustadora quanto a ligação cedo pela manhã que recebi me dando um dos socos mais difíceis que já levei nos últimos meses: não sei a resposta. Se lembro da nossa infância? alguns pontos sim e muitos em comum como os que saudosamente - e talvez de maneira inocente - me fizeram sentir na pele. Ver que um pulo, desesperado, vazio e breve acabou com os minutos de jornada de uma pessoa que tanto gostei me traumatiza tanto quanto me deixa indagações no ar que não vou citar aqui, porém que me deixaram muito confuso e incrivelmente perdido.

Simplesmente percebi que talvez minha perda de ideia, de foco, de instrumento norteador me é tão pesada que preferi renunciar a toda essa constatação em troca de uma vida pacífica. Sim, fiz o pacto da ignorância com meus próprios sentimentos em troca de paz e me tornei uma rocha: rígido, inflexível, rude e quem sabe grosseiro. Voltei a ser o estranho incomum que sempre fui, porém com uma diferença singela e quase imperceptível: que desistiu de se salvar e que passa a repensar a ideia de salvar os demais, que só pretende viver e torcer para que tudo volte a dar certo, a andar.

A verdade: não me importo de chorar, não me importo de crescer, não me importo de apanhar, não me importo de viver. Viver doí, viver machuca, viver expõe, viver fere, viver é estar vivo e se manter vivo, viver e sentir a vida pulsar em suas artérias, viver é… a quem interessa saber afinal?

(à Daniela, in memorian)